O capital intelectual é o diferencial das empresas dependentes de conhecimento humano. Todavia, em tempos de crises e incertezas, infelizmente as organizações acabam por reduzir o quadro funcional. Neste sentido, a grande questão é: como saber qual é o capital intelectual da organização?

Nestes tempos tumultuados que vivemos, em especial no Brasil, com uma série de turbulências econômicas, financeiras e políticas ocorrendo a todo instante, um expediente ainda bastante utilizado nas empresas de uma forma geral, e por vezes inevitável no curto prazo, é demitir parte da sua mão de obra.
Contudo, pode-se gerar um problema no médio e também longo prazo, principalmente para aquelas empresas que são dependentes do conhecimento humano.
Então você pergunta: como saber se a minha empresa é dependente do conhecimento humano?
Creio que para saber distinguir isso é mais fácil se relembrarmos o que pode ser considerado como conhecimento.
Vejamos: “conhecimento é o conjunto total incluindo cognição e habilidades que os indivíduos utilizam para resolver problemas. Ele inclui tanto a teoria quanto a prática, as regras do dia a dia e as instruções sobre como agir. O conhecimento baseia-se em dados e informações, mas, ao contrário deles, está sempre ligado a pessoas. Ele é construído por indivíduos e representa suas crenças sobre relacionamentos causais” (PROBST; RAUB; ROMHARDT, 2002, P.29 Apud ALMEIDA; FREITAS; SOUZA, 2011).
Pois bem, depois de relembrar este conceito, você pode se perguntar também: minha empresa tem a necessidade de inovar de forma constante ou somos replicadores de ideais de outras pessoas?
Caso a sua empresa tenha qualquer necessidade de inovar para manter-se competitiva, então, ela é dependente do conhecimento das pessoas que fazem parte dela. Até porque sem pessoas, não há conhecimento, conforme já vimos. 🙂

A partir disso, surge outra questão: como proteger meu capital intelectual, ou seja, o conhecimento instalado e desenvolvido dentro da sua organização, quando há a necessidade de demitir pessoas que são detentoras de tal conhecimento?
Eis uma questão, que não é extremamente simples de ser resolvida, mas que com um pouco de organização e sem querer complicar demais as coisas, conseguimos resolver e com isso proteger esta “fuga” de capital intelectual.
Legal! Então vamos à receita do bolo. Qual é o passo a passo a ser seguido?
Bem, aqui uma má notícia para você que está procurando uma “receita de bolo”, com um passo a passo, o qual basta seguir à risca para que tudo dê certo no final. Não existe tal “receita de bolo”!
Por quê?
É simples! A sua empresa é única e a sua realidade também!
Mas não há uma metodologia a ser seguida?
É claro que sim!
O fato é que nenhuma metodologia, por mais analítica que seja, vai dispensar o fato de você pensar na sua realidade, gerar ações que façam sentido para você e a sua empresa e adaptar a teoria à sua cultura e necessidades.
Por exemplo, vejamos, de uma forma bem rápida, uma metodologia proposta por OLIVEIRA (2012) para o que ele chama de Administração do Conhecimento Organizacional.
Para tal autor, a referida administração do conhecimento deve ser composta por 03 partes distintas, que atuam de forma seqüencial e interativa, ou seja, não são totalmente autônomas entre si.

1.Os fatores de sustentação da administração do conhecimento: há destaque aqui para quatro fatores, que sustentam e impactam a administração do conhecimento organizacional, quais sejam: tecnologia, estrutura, cultura e clima da organização.
2. As atividades do processo de gestão do conhecimento: deve-se atentar para os principais processos, que naturalmente podem ser mais ou menos complexos conforme a realidade de cada empresa. Contudo, normalmente passam por: análise e identificação dos conhecimentos, aquisição dos conhecimentos necessários, adaptação do conhecimento adquirido, validação do conhecimento pelas pessoas, armazenamento e estrutura de acesso ao conhecimento, aplicação prática do conhecimento, aprimoramento constante do conhecimento instalado, avaliação dos resultados, proteção do conhecimento e, se for estratégico para a empresa, venda do seu conhecimento.
3. Os programas de orientação e desenvolvimento profissional: naturalmente você deve estar pensando aqui nos departamentos de T&D (Treinamento e Desenvolvimento) das empresas, mas lhe convido a pensar um pouco além. Quando falamos em educação corporativa, falamos no desenvolvimento de toda a cadeia de valor, na qual a empresa está inclusa. Assim, devemos pensar na evolução pessoal, na disseminação do conhecimento e na criação de novos conhecimentos com a colaboração das pessoas que trabalham na empresa diretamente, mas também com seus parceiros de negócios, seus clientes, seus fornecedores e também com a sociedade. Obviamente, respeitando os objetivos a serem atingidos com cada programa.
Muito bem, o intuito de hoje é exatamente analisar esta relação entre o conhecimento, sua importância e a realidade das empresas, em especial em momentos como este.
De qualquer forma, a gente vai ter oportunidade de continuar este debate neste canal e tratar um pouco mais sobre formas de desenvolver e proteger o seu capital intelectual, OK?
Até breve!
Referências bibliográficas
ALMEIDA, Mário de Souza; FREITAS, Claudia Regina; SOUZA, Irineu Manoel. Gestão do Conhecimento para tomada de Decisão. São Paulo: Atlas, 2011.
OLIVEIRA, Djalma de Pinho Rebouças de. Coaching, mentoring e couseling: um modelo integrado de orientação profissional com sustentação da universidade corporativa. São Paulo: Atlas, 2012.