O Design Instrucional mudou a Segunda Guerra, quer saber por quê?15 min read

O design instrucional é uma ferramenta poderosa para a aprendizagem do capital humano. Sua metodologia dinâmica e facilmente aplicável, inova o aprender.

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Qual é a ênfase deste escrito?

O artigo apresenta o surgimento do design instrucional e sua evolução para o design educacional. Além disso, ele demonstra como auxiliou na Segunda Guerra Mundial as forças armadas dos Estados Unidos. Também mostra como o design instrucional e educacional podem facilitar as ações educacionais das empresas e por consequência preparar e desenvolver os colaboradores.

O que é o Design Instrucional?

O design instrucional, ou design educacional, é uma metodologia surgida em plena Segunda Guerra Mundial, que buscou preparar os soldados das forças armadas para melhorar o seu desempenho em campo. Desta forma, seria possível diminuir os gastos com recursos humanos e materiais.

Como tudo começou

Pensemos no seguinte cenário para entendermos melhor:

Em certo momento durante a guerra, já não existia muita mão de obra disponível, pois os conflitos eram tão intensos que muitos morriam no primeiro combate. Então o que seria mais interessante:

a) Preparar melhor os soldados para desempenhar de maneira mais eficaz sua função e tentativa de sobrevivência?

b) Continuar recrutando pessoas e sempre recomeçar o treinamento básico com eles?

Lembremos que muitos recrutados para a guerra eram agricultores, professores, enfim, pessoas que nunca tiveram contato com uma arma antes da convocação. Realmente eles estavam passando por um dos momentos mais primitivos do ser humano, ou seja, a luta pela sua vida.

Então, um grupo de estudiosos sobre aprendizagem foi contratado pelas forças armadas dos Estados Unidos. Dentre eles nomes como Robert Mager, Rober Gagné e Leslie Briggs, para ajudar na melhoria do desempenho destes soldados. Então, iniciaram-se os primeiros passos do design instrucional.

Será que seria possível aplicar esse conceito em nossas empresas?

Antes de começarmos a pensar em conceitos e aplicações do design instrucional, vamos analisar o contexto de nossas empresas, tendo como contraponto o cenário descrito acima.

Digamos que sua organização passe pela seguinte situação: como a empresa é um organismo vivo, ela necessita de pessoas para realizar as tarefas referentes ao negócio, assim como a guerra necessita de soldados para defender sua bandeira.

Isso parece óbvio, entretanto, muitos diretores, gestores e líderes, ainda não se convenceram que a empresa só funciona porque há pessoas envolvidas em todo processo produtivo. Muitos acreditam que uma máquina mais potente ou um espaço maior é o que define o sucesso. Contudo, falaremos sobre isso adiante.

Voltemos a visualizar as pessoas da nossa frente de batalha. Quem são elas?

No cenário mais otimista, são colaboradores que depositam sua expectativa em fazer o melhor possível na sua função, garantindo com isso sua continuidade na empresa. Isto é, são soldados que tentam da maneira que conhecem continuar vivos em campo.

Vamos refletir por um momento: por que foi dito que as pessoas fazem o melhor possível?

Porque muitas vezes elas nem sabem ao certo o que deveriam fazer e são postas em uma função onde um colega apenas lhe diz o que deve ser feito. Então esse novo colaborador vai tentar digerir esse dado e transformá-lo na informação que lhe for mais fácil de executar.

É mais ou menos como dizer na guerra – aponta a arma e atira. Ok, mas aponta para onde? Atira de que maneira? Da maneira que não lhe atingir e matar seus companheiros.

Pode parecer estranho essa comparação entre a guerra e a empresa. Contudo, se você pensar bem, vivemos uma guerra diária em nossas organizações.

São reuniões para tomar as melhores decisões, encontrar os gargalos e diminuí-los, atingir as metas, lidar com a concorrência de forma ética, buscar a melhor equipe e incentivá-la a ficar conosco, evoluir, ganhar novos mercados, firmar a marca. Você reconhece que tudo isso é realizado em um campo de batalha também?

Todavia, você deve estar se perguntando: o que o design instrucional fez e pode fazer por mim?

Quando houve essa reunião de estudiosos, durante a Segunda Guerra Mundial, eles buscaram compreender:

a) Qual era o desempenho necessário para as tarefas a serem executadas?

b) Como deveria ser o perfil dessas pessoas que desempenhariam estas tarefas?

c) O que poderia ser feito antes que elas entrassem no campo de batalha durante a guerra e depois que voltassem para o alojamento.

d) Como definiriam os recursos necessários e como aplicá-los de forma correta?

Quais eram os objetivos que as forças armadas tinham?

Podemos até pensar, certamente vencer a guerra. Correto, mas a que custo?

Será que realmente este é o objetivo?

Depois de analisarem todos os pontos que julgaram necessários, formataram uma maneira de treinar os soldados onde as seguintes questões deveriam ser evidenciadas no treinamento:

  1. Foco: pessoa a ser treinada (aprendiz, treinando).
  2. Objetivo: melhorar o desempenho ou a competência (e aqui lembramos do nosso famoso CHA – Conhecimento, Habilidade e Atitude (ou Vontade). 
  3. Pré-requisito: analisar o contexto (ou o cenário) atual para compreender corretamente o problema.
  4. Limitações e implicações: entender que conforme definiu Newton, toda a ação gera uma reação. Então, o que poderá impedir que o objetivo desejado se concretize.
  5. Execução e desenvolvimento: como fazer a ação para que a mesma atinja os resultados desejados.

Quais foram os passos após a descobertas destes pontos nevrálgicos?

Após a análise destes itens, foi traçado o planejamento e posteriormente o desenvolvimento e a execução dos treinamentos. Estes foram feitos com ajuda de simuladores, material conceitual, resolução de problemas, entre outros.

Com o término da guerra, entendeu-se como necessário a continuidade destes estudos, devido aos resultados alcançados terem sido extremamente relevantes. Por consequência, o design instrucional foi absorvido pelo comércio, indústria e naturalmente nas forças armadas.

Poderíamos continuar divagando sobre os benefícios, a evolução e a eficácia do design instrucional. Contudo, vamos para outro vértice, ou seja, responder à pergunta do título: como o design instrucional pode mudar a sua empresa?

Primeiramente, lhe convido a compreende conosco a seguinte imagem:

o design instrucional e sua metodolofia

Freepik.com com alterações da Conducere

Percebeu que o centro está descrito como design educacional e não design instrucional? Aqui cabe uma explicação.

Há diferença conceitual entre o design instrucional e o design educacional?

Existem duas correntes sobre o design instrucional.

Uma, a qual esta autora faz parte, é que o design educacional deve ser entendido como uma evolução do design instrucional. Outra, que defende que instrucional e educacional são sinônimos, e, portanto, para ter um vocábulo mais agradável, escolheu-se no Brasil o termo educação no lugar de instrução.

Como acreditamos em uma corrente evolutiva, vamos tentar lhe convencer do nosso entendimento.

Quando visualizamos as definições do design instrucional, os campos de estudo são: analisar, planejar, desenvolver, implementar e avaliar.

Perceba que não colocamos acompanhar, porque realmente neste método o papel fundamental do designer é o de aplicar. O que queremos dizer é que quando um designer instrucional é contratado ele vai analisar onde está o problema instrucional (a deficiência de desempenho) e como resolvê-la. Também, vai planejar a ação instrucional (capacitações, programas, palestras, materiais didáticos) e irá desenvolver o que foi planejado. Submeterá os aprendizes a esta instrução e avaliará o resultado obtido.

Entretanto, um designer educacional vai além. Ele realiza todas as ações que o designer instrucional faz, mas ainda acompanha por um período definido no planejamento a mudança comportamental dos aprendizes submetidos à  capacitação. Neste caso o designer educacional faz o antes, o agora e o depois.

Porém por que o designer educacional faz isso e o instrucional não faz?

Isso tem a ver com a própria essência das palavras. Neste sentido vamos tentar diferenciar uma palavra da outra. Para isso, vamos recorrer ao nosso dicionário da língua portuguesa:

Instrução: explicação ou esclarecimentos dados para uso especial.

Educação: aperfeiçoamento das faculdades físicas intelectuais e morais do ser humano.

Na linguagem dos designers, diferenciamos da seguinte forma:

 Instrução: objetivos pré-definidos e um método para alcançá-los.

 Educação: experiências criadas para que as pessoas aprendam.

Perceba que a educação está voltada para o aperfeiçoamento, ou seja, a aprendizagem. Em outro momento, vamos tratar sobre a aprendizagem, mas neste artigo ficaremos com a metodologia do design instrucional e design educacional.

Agora que você teve a ciência do que é o design instrucional e o design educacional, devemos voltar a responder a pergunta – como ele poderá mudar a sua empresa?

O design instrucional e o mundo corporativo

Quando pensamos em um negócio, independente da atuação, tamanho ou segmento, duas coisas são necessárias: pessoas e processos.

Obviamente temos que ter produtos, recursos, clientes, entre outros quesitos.

Entretanto, pensemos, se as pessoas não tiverem um processo definido, os produtos não serão produzidos de forma adequada e por consequência não terá clientes e recursos.

Concorda com esta visão? Vamos continuar nesta linha de pensamento, combinado?

Para que as pessoas realizem os processos corretamente, elas deverão saber que processos são esses, como devem realizá-los, se estão fazendo corretamente , entre outras considerações.

Como o design instrucional ou design educacional vai ajudar?

Esta metodologia definirá como a ação educacional deverá ser aplicada:

a) Em cada público-alvo (grupo de aprendizes, colaboradores).

b) Como avaliá-los, acompanhá-los, quais serão as estratégias necessárias para atingir os objetivos propostos, entre outros planejamentos.

Talvez você reflita sobre essa situação e pense: na minha empresa não precisamos disso!

Primeiramente, na atual circunstância não temos como investir em nada e, além disso, a empresa já proporciona regularmente treinamentos.

gato da Alice Cheshire

Crédito Imagem: Google Imagens

Você já viu o filme Alice no País das Maravilhas?

Em determinado momento, Alice pergunta ao gato Cheshire, para onde ela deve ir e Cheshire responde: quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve.

O que isto tem haver com o nosso assunto?

Muito simples, a empresa que não sabe o que precisa, ou seja, que não tem muita noção de quais competências está necessitando aprimorar, quais são os seus gargalos e não sabe exatamente se as pessoas estão nos lugares certos. Assim como, não sabe quanto o desenvolvimento pode resolver ou modificar as suas urgências, ou mesmo quanto de recurso é perdido durante o processo. Nestas condições, qualquer treinamento ofertado serve, nem que este não gere quaisquer resultados. Como dizia em outro filme, as pessoas querem ser enganadas, porque não estão vendo atentamente (O Ilusionista).

Caso deseje saber mais sobre este assunto, indicamos as leituras:

Administração do conhecimento: como não desperdiçar o seu e o da organização

Como o seu modelo mental afeta a sua liderança

Criação e promoção do conhecimento: reveja suas estratégias!

Desenvolver a aprendizagem com o apoio do design instrucional e educacional

Ao formatar o desenvolvimento da aprendizagem com base no design instrucional e/ou educacional, todo o investimento passa a fazer sentido. Ao passo que antes disso até concordamos que o valor das ações educacionais podem ser consideradas um simples gasto.

Todavia, quando há uma razão clara quanto à necessidade deste desenvolvimento, como iremos fazer e retornar para a empresa, passa-se a investir somente no que é importante e estratégico para a organização.

Como o design instrucional e/ou educacional muda sua empresa?

Ele lhe fornece as respostas e o caminho para o desenvolvimento de forma estruturada das pessoas da sua organização.

Aqui falamos em criação e geração do conhecimento e acompanhamento efetivo da mudança no comportamento e no desempenho/performance de todos.

Exemplificando…

Vamos para um exemplo mais prático.

Normalmente, as empresas desenvolvem um programa de liderança. Principalmente aquelas que possuem alguma certificação como Norma ISO ou outra específica para a sua área de atuação.

Além da aplicação de ferramentas como o DISC ou Alpha, também as lideranças são submetidas a programas motivacionais e de qualificação educacional, sejam especializações ou cursos de extensão.

Isso está errado?

Não, desde que haja um programa maior que estruture e responda por essas ações.

Aqui cabe uma observação.

Sabe-se que não há como motivar diretamente alguém a fazer algo, pois isto depende de funções orgânicas e biológicas cerebrais, sem esquecer das funções psicológicas do ser humano.

Existe sim, a possibilidade de através de técnicas cognitivas e comportamentais, incentivar uma pessoa a realizar determinada função da forma como gostaríamos. Entretanto, a decisão desta pessoa em fazer ou não o que desejamos será sempre dela.

Neste ponto, voltamos à análise acima, como saber se determinado líder está respondendo adequadamente ao programa que a empresa está ofertando se não temos a menor ideia, ou melhor, não temos o planejamento do que queremos, para que iremos realizar e o que deve ser alterado com essa ação educacional?

O que o design instrucional e/ou educacional muda em minha empresa?

O mínimo que ele mudará é fazer com que a sua empresa deixe de investir em ações que não resultem em benefícios ou em questões estratégias.

Em um português bem coloquial, que você deixe de gastar dinheiro com bobagens que não ajudam em absolutamente nada na melhoria da sua empresa e das pessoas ligadas a ela.

Perceba que acima nos referimos a um resultado mínimo.

O que então seria o máximo?

1. O real desenvolvimento da organização.

2.  O reconhecimento das pessoas de que a empresa preocupa-se com elas e com sua aprendizagem.

Este sentimento, não tem proposta salarial que apague. Garantimos para você, pois o prazer é resultado de impulsos elétricos do cérebro, que ficam lembrando o quanto é bom estar no lugar que se está.

Como você deseja que seja o ambiente da sua organização?

Caso não tenhamos lhe convencido ainda o quão é importante e benéfico para a organização investir em pessoas, com uma metodologia eficaz, principalmente, mas não somente, em épocas de crise, como desfecho desta apresentação do design instrucional e/ou educacional, vamos buscar uma provocação seguidamente feita pelo Jocelito André Salvador:

Você pode se indagar – para que vou investir em meus colaboradores? Como posso ter certeza que eles ficarão na empresa e não irão para a concorrência?

Nesta situação você deverá pensar no que é menos prejudicial para sua organização.

Você imagina que é ficar por um curto período com pessoas preparadas e competentes, desenvolvendo suas atribuições de forma eficaz?

Prefere pessoas por um longo período, que são como peças decorativas, que não tem a menor noção de como desempenhar suas funções?

Talvez, opte pelos que fazem de qualquer forma, apenas para cumprir o horário estipulado, mas que não possuem o menor comprometimento com a organização?

O design instrucional mudou a guerra, mas a decisão é sua dele mudar a sua empresa também!

Conducere Indica

O design instrucional está imerso em todas as atividades e soluções da Conducere.

Para lhe apoiar na inovação do desenvolvimento de todos os seus stakeholders, criamos a capacitação online: Como estruturar planos estratégicos e inovadores de capacitação

Sabemos que não tão simples mudar paradigmas e modelos mentais. Por isso, criamos os Talk Shows da Conducere!

Nesta metodologia ativa, dinâmica e ágil, traçamos os caminhos e as estratégias para ajudar sua organização com:

  • Aprendizagem
  • Conhecimento
  • Inovação

Veja alguns títulos disponíveis para os Talk Shows da Conducere:

Intelligent Leadership: Aprendizagem, conhecimento e inovação

Intelligent Leadership: empresa como máquina e/ou cérebro

Talk Show em parceria com a Strategy

A Conducere firmou uma parceria com a Strategy Negócios e Investimentos.

Para conhecer mais sobre esta aproximação, acompanhe: Conducere Entrevista: Alexandre Freire e Jocelito André Salvador

Na conversa, os dois CEOs nos contam sobre a relação comercial bem como o novo produto fruto da mesma.

Estamos falando do Talk Show: Smart Company: porque você precisa ter uma

Havendo necessidades de maiores informações  ou esclarecimentos, fale conosco!

Créditos

Texto: Valeska S. Fontana Salvador

Imagem em destaque no Blog: Freepik.com

Gellevij. M. (2001). Disciplina ´Principles of learning and instructional design´ Universidade de Twente, (não publicado).

Reiser, R.A. (2001). A History of Instructional Design and Technology: Part II: A History of Instructional Design. ETR&D, Vol. 49, No. 2, 2001, pp. 57–67

Romiszowski, A.J. (1999). Designing Instructional Systems: Decision making in course planning and curriculum design. London: Kogan Page.

Smith, P.L., & Ragan, T.J. (1999). Instructional design. (2nd ed.). Toronto: John Wiley & Sons.

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