Design Instrucional e sua relação com outras inovações educacionais

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Podemos afirmar que o Design Instrucional (DI) é um sistema, logo percebe-se que o mesmo não consegue atingir o seu objetivo de maneira isolada, mas sim ao aglutinar outras soluções, que fundidos, entreguem o resultado almejado.

Além disso, como já mencionado em escritos anteriores, o próprio designer, necessita cercar-se de outros especialistas, para conseguir cumprir o seu papel, independentemente do modelo de DI escolhido (fixo, aberto e/ou contextualizado), ou de sua fase, seja na concepção (análise, design e desenvolvimento), seja na execução (implementação e avaliação).

Design Instrucional conectando inovações educacionais

design-instrucional

Crédito Imagens: Freepik com modificações da Conducere

Entretanto, como saber que insumo e/ou tecnologia contribui para atender o objetivo educacional e qual não agrega valor?

Para responder esta questão, precisamos conhecer quais são estas ferramentas disponíveis, verificar se favorecem o projeto educacional e analisar como se dará a integração das mesmas.

Todavia, para deixar um pouco mais prático, descreverei algumas inovações educacionais e como podemos aplicá-las em nossos projetos de DI, além de demonstrar em que fase as mesmas podem ser alocadas.

Design thinking

design instrucional e design thinking

Crédito imagem: Google Imagens

O design thinking ganhou muito espaço nos últimos tempos. Ele pode ser considerado uma inovação educacional e auxilia, em especial, na primeira fase do Design Istrucional, que é a análise.

A ideia central do design thinking é, através de reuniões de brainstorm, modelar a estrutura do que você necessita, seja um novo negócio, um novo produto, ou novo objeto educacional.

Esta ferramenta auxilia nos três modelos de DI, pois ela pode ajudar a entender qual é a real necessidade de aprendizagem (DI fixo), estruturar o debate entre os especialistas (DI aberto) ou mesmo auxiliar no levantamento da necessidade, do perfil dos aprendizes e restrições da aprendizagem (DI Contextualizado).

Rapid Learning e Learning Design

design instrucional e criação de conteúdo online

Crédito Imagem: Google Imagens

Ambos os métodos de desenvolvimento de conteúdo são utilizados na fase do planejamento, design e desenvolvimento. A diferença entre os dois é que o Rapid Learning traz uma estrutura pré-formatada, como cenários, banco de imagens, entre outros, onde com um pouco de imaginação e sem a necessidade de conhecimento em programação, você possa elaborar um curso e o disponibilizar na web. Já o Learning Design, exige uma noção e um tempo maior de elaboração das laudas do curso. Além disso algumas ferramentas possibilitam que o designer ou o programador, insiram códigos como javascript, por exemplo, que permitem personalizações.

Vale salientar que para o desenvolvimento do rapid learning ou do learning design, normalmente utiliza-se ferramentas de autoria, que são softwares preparados para, através da inserção de textos, imagens, vídeos etc., possibilitar a criação de interações e gerar um arquivo em padrão .scorm ou html5 (ou os dois), para que seja possível a inserção no LMS e consequentemente a distribuição do conteúdo de forma virtual. Alguns LMSs vem com uma ferramenta integrada, como o próprio  MOODLE, que possibilita a inserção destas mídias (textos, imagens, vídeos) e o mesmo já faz a conversão para um formato que seja visível na web.

Gamificação

design instrucional e a gamificação

Crédito Imagem: Google Imagens

A Gamificação, isto é, colocar elementos de jogos em ambientes que não são jogos, é um método que pode ser utilizado desde o planejamento até a avaliação dos objetos de aprendizagem. Isso é dito pois, como a aplicação deste recurso exige uma programação diferenciada na forma de aplicação do conteúdo, assim como das interações, então, desde que muito bem projetada, ela é um mecanismo que auxilia muito na aprendizagem, pela sua possibilidade de maior engajamento entre os envolvidos.

Com a integração desta tecnologia é possível planejar a obtenção de medalhas e troféus, ou mesmo materiais complementares (bônus), uma linguagem mais dialógica e não tão formal, além de incentivos para que os aprendizes se sintam motivados durante o curso.

No DI fixo este tipo de recurso é possível desde que seja aplicável uma pré-configuração já prevista o projeto. No DI aberto, pode-se pensar em momentos de videoconferência com o docente ou mesmo outros tipos de benefícios. No DI contextualizado, pode-se criar grupos com premiações específicas para os que se destacarem ou resolver o problema proposto, por exemplo.

LMS, LCMS e LAMS

Os ambientes virtuais são partes essenciais deste novo mundo educacional. No Design Instrucional, eles fazem parte do planejamento, desenvolvimento e implantação. Através do uso destas ferramentas, a educação ganhou outras proporções, pois facilitou-se a oferta de conteúdo em larga escala. Na contramão, infelizmente, possibilitou-se que muito material inadequado fosse publicado e oferecido como se qualidade tivesse.

Cada LMS (Learning Manangement System) possui funcionalidades próprias. Contudo as normalmente presentes são: leitura de arquivo em formato .scorm, fóruns, atividades educacionais (quiz, V e F, relacionar colunas e múltipla escolha), biblioteca virtual (para adição de conteúdos complementares aos disponibilizados nos cursos), suporte para dúvidas (conteúdo – tutoria/mentoria e admistrativo).

Diferente do LMS, o LCMS (Learning Content Management System) vem como uma segunda geração, focando nos conteúdos educacionais e não mais com grande ênfase na ferramenta como no LMS. Já o LAMS (Learning Activity Management System), destaca que cada unidade de aprendizagem deve ser única e integral. Portanto, haverá conteúdo, atividade e avaliação em cada unidade de conteúdo disponibilizada.

Redes Sociais, ambientes de aprendizagem e comunidades de prática

Design instrucional e as comunidades de prática

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Sabe-se que só existe conhecimento quando este é percebido pelos demais como algo relevante e aplicável. Assim sendo, com o advento da web 2.0 e mais recentemente a 3.0, as redes sociais surgiram como um espaço onde é possível postar uma informação e debater sobre a mesma, construindo um conceito coletivo.

Neste mesmo contexto, ambientes de aprendizagem, isto é, lugares (in loco ou virtuais) com pessoas engajadas a juntas desvendar conceitos, ou comunidades de práticas, que fomentam as melhores maneiras de resolver um determinado problema gerando uma aprendizagem coletiva, tem sido uma ótima opção.

No Design Instrucional aberto e no contextualizado (DIC), estes recursos são observados nas fases de implementação e avaliação. Já no fixo, quando utilizados, são vistos na fase da implementação.

Portfólios e Blogs

Ainda sobre as possibilidades que a web 2.0 e a 3.0 permitiu-nos no âmbito educacional, temos os Portfólios e os Blogs. Estes recursos educacionais possibilitam os aprendizes a publicar sua construção do conhecimento em ambientes virtuais e normalmente interativos. Com isso, seu entendimento e suas reflexões sobre o conteúdo apresentado ficam disponíveis para os demais integrantes da web, permitindo que sejam consultados como fonte confiável.

No DIC (DI Contextualizado) esta forma de avaliação é muito utilizada. Já no DI aberto é possível como uma “segunda avaliação” ou “avaliação complementar”, mas desde que haja uma interação com os docentes responsáveis pelo curso.

MOOCs

Apesar de estarem baseados, normalmente, num LMS, por se tratar de um ambiente virtual de aprendizagem, os MOOCs são tidos com uma plataforma de hospedagem para cursos, em sua maioria conteúdos gratuitos, mas de grande propriedade e de alto nível educacional.

Em relação ao Design Instrucional, os MOOCs normalmente são planejados no fixo e no aberto. Isso ocorre pois a intenção desta oferta de conteúdo é atingir um grande público. Portanto, exceto com algum patrocínio, dificilmente as entidades conseguiriam ofertar monitorias e tutorias. Salvo se houvesse a contrapartida de investimento do aprendiz.

Ensino híbrido (blended learning)

design instrucional e blended learning

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Outra inovação educacional que tem crescido muito é o blended learning, ensino híbrido ou semipresencial. Nesta modalidade há uma mescla entre o presencial e o virtual.

Com isso, o planejamento deverá analisar o que é possível fornecer de conteúdo no formato virtual. Dessa maneira, é possível ganhar escalabilidade e favorecer que o aprendiz acesse os materiais quando lhe for viável. Todavia, deve-se respeitar que tudo o que for imprescindível para o desenvolvimento pessoal na forma presencial, ocorra nesta modalidade.

A escolha deste modelo de ensino deverá estar presente no DI no momento do planejamento, mas também nas fases de desenvolvimento, implementação e pode ser aplicado na avaliação, em especial no DI fixo.

Design adaptativo

O suprassumo do Design Instrucional seria conseguir criar um conteúdo individualizado para atender as necessidades pontuais de cada aprendiz, sobre determinado assunto. Apesar de parecer uma utopia, as tecnologias, através de programações, estão conseguindo selecionar os conteúdos que melhorarão o desempenho do aprendiz, baseado em um questionário inicial. Isso é muito aproveitado no DI fixo.

Já no Design Instrucional aberto, através do entendimento específico da necessidade do aprendiz, o docente poderá selecionar os conteúdos viáveis para sanar o problema individual dos seus educandos. No DIC, além da seleção dos conteúdos, há a possibilidade de avaliações colaborativas e direcionadas.

Sala de aula invertida

Este é um método interessante! A ênfase está em o aprendiz poder ter acesso ao material anteriormente ao encontro presencial. Desta forma, presencialmente será o momento de sanar as dúvidas e inquietações pontuais sobre o assunto.

Uma técnica aplicável com a sala de aula invertida é a do minute paper. Este recurso, baseia-se no que o aprendiz já sabe. Com isso, há o auxílio na construção do conhecimento e na absorção da aprendizagem. Dessa forma, pode-se fazer perguntas sobre os principais tópicos e permitir a elaboração da resposta em um minuto. Após, todos os presentes ajudam a construir um conceito coletivo.

Para o Design Instrucional, o uso da sala de aula invertida, ou flipped learning, deve ser previsto nas fases do planejamento, design, desenvolvimento, implementação e avaliação.

Análise da aprendizagem

design instrucional e a análise de aprendizagem

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Independente se for no meio corporativo ou no meio acadêmico, ninguém mais realiza um curso pelo simples prazer de fazê-lo. Contudo, o desempenha pela necessidade de adquirir um conhecimento essencial e/ou crítico. Seja  para sua atuação profissional ou formação pessoal. Entretanto, como saber se todos os esforços do DI, equipe de apoio, docentes e aprendizes deram resultados?

É célebre a frase “o que não é medido, não pode ser conhecido ou mesmo gerenciado”. Alguns a atribuem a Peter Drucker, mas não há como confirmar esta autoria, por isso, não o citarei como autor.

Para sabermos se todo o planejamento, concepção e a execução atingiram os fins a que a que se propuseram quando criados, nos utilizamos de índices e indicadores. Estes são coletados antes, durante e após a aplicação do produto educacional.

A Big Data, como amplamente é conhecida, fornece a geração e a gestão de dados. Estes são obtidos da interação, engajamento, percepção e compreensão do aprendiz. Esta análise ocorre sobre todos os elementos que estão direta ou indiretamente envolvidos no processo de aprendizagem. Com isso, possibilita-se feedbacks mais personalizados, assim como conteúdos mais direcionados.

Como já mencionado, o Design Instrucional não se basta em si mesmo. Ele precisa da ajuda de outras inovações educacionais para atingir os objetivos a ele propostos.

Existem várias metodologias e ferramentas educacionais, além das citadas neste artigo que podem ser utilizadas. Como exemplo, podemos citar o mobile learning e o design responsivo. De qualquer forma, o ponto crucial é saber o que apoia o seu projeto educacional e o que o prejudica.

Em termos de Design Instrucional, não há o que é melhor ou pior. Todavia, há o que encaixa perfeitamente no seu planejamento. Conseguindo dessa forma, facilitar o ensino e aprendizagem dos aprendizes inseridos no seu produto educacional.

Referências bibliográficas

FILATRO, Andrea. Design instrucional na prática. São Paulo: Pearson, 2008.

_______, _______ e CAIRO, Sabrina. Produção de conteúdos educacionais. São Paulo: Saraiva, 2015.

_______, _______. Resumo de inovações em tecnologias educacionais. 2016.

SALVADOR, Valeska Schwanke Fontana. Modelos do DI e suas fases de concepção e execução, 2016.

________, ______ __________ ______. O que é tendência para educação corporativa nos próximos anos, 2016.

 

Conducere Indica – Pecha Kucha

Você conhece o método Pecha Kucha?

Nós o utilizamos para explicar como o design instrucional relaciona-se com outras inovações educacionais.

Acesse o vídeo, através da imagem abaixo:

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