Conducere Entrevista: Alexandre Freire e Jocelito André Salvador13 min read

A Conducere Inteligência Corporativa, firmou uma parceria com a Strategy Negócios e Investimentos. Os CEOs das empresas, Jocelito André Salvador e Alexandre Freire, nos contam sobre essa aproximação, bem como o produto que está sendo lançando oficialmente nesta data.

Confira nossa entrevista!

Conducere Entrevista: Alexandre Freire

Jocelito André Salvador - Conducere Entrevista

Conducere Entrevista - Alexandre Freire

Para conhecerem um pouco mais do Alexandre, breves linhas do seu vasto currículo:

Alexandre Freire é CEO da Strategy Negócios e Investimentos e Diretor Executivo da CASP Financial & Investments do Brasil, instituição financeira de gestão de Fundos de Investimentos Internacionais para o setor de energia renovável (Solar, eólica, WtE, reciclagem, biomassa). É mentor estratégico para startups nos ramos de tecnologia e energia renovável. Sua trajetória soma projetos de inovação como a primeira cerveja long neck no Brasil, o primeiro chá gelado do mundo, café gelado na Ásia e reposicionamento de marca da Água mineral Perrier nos EUA.

Para saber mais sobre o Alexandre, acesse: Perfil Alexandre Freire: Linkedin

Conducere: Alexandre, inovação está no DNA de sua carreira! Além de ser um precursor na produção de vídeos empresariais, colunista da VOCE S/A, executivo internacional, escritor de quatro livros para a área de negócios e premiado nos EUA, atualmente atua na estratégia dos negócios, membro de conselho e investidor.

Como você analisa esta relação entre as Smart Companies e a inovação?

Alexandre Freire: Acho importante ressaltar, e porque não dizer, desmistificar o que é inovação.  Muita gente ouve a palavra inovação e já pensa em Bill Gates, Steve Jobs e afins.  Criou-se um mantra que inovação é uma atividade que exige ser disruptiva, ou seja, o lançamento de um produto ou serviço que cria um novo mercado e desestabiliza os concorrentes que antes o dominavam.  Temos que compreender inovação como uma nova forma de se fazer, produzir, entregar, cobrar, etc. As Smart companies (Empresas inteligentes) aliam o processo de inovação, modelo de negócios e tecnologia aplicada.

Criar um ambiente propicio, pessoas capacitadas e com atitude para mudar, gestores com propensão a aceitar o erro, tecnologia para registrar e mapear o processo de inteligência da empresa são requisitos básicos para tornar sua empresa uma Smart Company.  Importante ressaltar que a tecnologia não pode ser o fim e sim o meio.  Portanto, o simples fato de utilizar tecnologias de ultima geração não garantem a inovação.

Conducere: Um dos temas que prejudica a evolução dos negócios é o conflito de gerações, ou porque não dizer a falta de um planejamento de sucessão. Em uma pesquisa recente da PWC, eles apontam que o “processo de sucessão é um provável fator de fracasso”. Além disso, afirmam que 43% das empresas familiares do mundo não tem plano de sucessão e apenas 12% chegam na terceira geração. (Pesquisa Global sobre Empresas Familiares 2016, pg.7. Disponível em: http://www.pwc.com.br/pt/setores-de-atividade/empresas-familiares/2017/tl_pgef_17.pdf.)

O que você poderia compartilhar conosco sobre conflito de gerações na realidade das empresas brasileiras?

Alexandre Freire: A visão que norteou o fundador, não é facilmente transferida a outra(s) pessoa(s) da família. Além disso, as condições de mercado mudam rapidamente e os jovens surfam na mesma onda das grandes mudanças, portanto,  esses fatores combinados criam conflitos de gerações nas empresas brasileiras.

Alguns pontos são comuns como causadores de conflitos entre gerações:

  • Rivalidade entre irmãos ou parentes criando feudos.
  • Nepotismo ao invés de meritocracia.
  • O uso da emoção no processo decisório e na gestão dos negócios.
  • Informalidade excessiva nos processos internos.
  • Uso dos recursos da empresa em prol de necessidades pessoais.
  • Os mais velhos enxergam os mais jovens como “eternos inexperientes”.
  • Gerações mais velhas adotam postura de só mudar quando o “barco estiver afundando”.
  • Gerações mais jovens tendem a ignorar princípios e valores dos fundadores da empresa.

Mas uma luz no fim do túnel está aos poucos mudando este cenário. 

Existe, no ambiente corporativo do País, uma consciência crescente de que os conselhos de administração agregam valor às empresas familiares. Ainda que esses colegiados não estejam disseminados em todos os setores, um número crescente de pequenas e grandes companhias de propriedade familiar buscam consultorias para renovar e profissionalizar o seu modelo de negócios.

Mas antes da instalação do Conselho, um Plano de Sucessão Familiar deve ser implantado.  Este plano tem como objetivo principal o uma lista de ações visando profissionalizar toda a linha sucessória e demais lideranças, no processo para administração da gestão.  Os processos sucessórios nas organizações são complexos e, em alguns casos, desgastantes, mesmo quando planejados.

Conducere: Você escreveu o livro “A arte de gerenciar serviços – Quando o espírito humano supera a ciência na gestão.” É um tema muito interessante e atual, ainda mais com os avanços da inteligência artificial e de empresas que ainda não adentraram na Era do Conhecimento.

Você acredita que está faltando propósito claro e gestão de talentos nas empresas, de modo geral?

Alexandre Freire: Eu acredito que a área de gestão de talentos na forma tradicional morreu há muito tempo.  

Não canso de ouvir o chavão: As pessoas são o ativo mais importante de nossa organização.  Sinceramente, já passou da hora dos diretores executivos tratarem o RH como RH. 

Na maioria das empresas que conheço o RH só é convocado para apagar incêndio, demitir ou contratar alguém de forma “emergencial”.  No dia a dia das organizações são tratados como “psicólogos” para combater crises pontuais.

Em uma ocasião, auxiliei um cliente a desenhar seu plano estratégico.  Durante os trabalhos eu o alertei: “Em mais alguns dias sua diretora de RH vai pedir para sair”. 

Quando o plano ficou pronto e a fase de execução iniciou, ela pediu demissão.  Tiro e queda!  Ela não era uma diretora de RH, ela era uma profissional operacional DP.

Culpa dela?  Claro que não. 

Culpa de quem não tem conhecimento das importantes contribuições estratégicas que uma verdadeira área de RH pode trazer para as empresas. 

Ele errou na contratação e ponto final.

O valor das organizações não está mais no patrimônio, nas maquinas ou nos equipamentos.  O valor real das organizações está localizado nas pessoas do pescoço pra cima.  O único diferencial competitivo que sobrou é o conhecimento.  O resto virou commodity.

As mudanças na lei trabalhista serão assimiladas pelas empresas sem problemas.  O ponto não é este!

Em outros países, estas regras estão impactando diretamente a estrutura e competências do RH.  Por quê?  Novos players e ambientes no pedaço:  Freelances, gestores interinos, home office, terceirização.

Até hoje o RH teve que se preocupar somente com FUNCIONÁRIOS CLT.  A reforma exigirá do RH uma atuação de gestor de “pessoas e profissionais”, pois determinados projetos poderão ser tocados por gestores interinos, freelances, terceirizados ou funcionários home office.  Ou seja, o RH terá que ir além da tradicional atividade de selecionar currículos. 

Prospectar profissionais, empresas e gestores interinos tecnicamente capacitados para projetos especializados não faz parte do cardápio atual do RH no Brasil.

Home office será outro desafio para a área, exigindo um novo conceito de relacionamento e avaliação a distancia.  O RH terá que sair do seu quadrado histórico de pensar exclusivamente em publico interno para uma visão mais abrangente onde outros players externos passarão a fazer parte do dia a dia das organizações.

Outro ponto que está impactando diretamente a gestão de talentos é a tecnologia. 

Na Unilever, os estudantes participam de jogos baseados em neurociência para identificar suas características e suas entrevistas são gravadas e analisadas por tecnologia baseada em inteligência artificial.

Segundo a empresa, este processo inovador aumentou dramaticamente a diversidade e a eficiência de custos.  Em vez de enviar representantes para universidades de elite como de costume, coletar currículos e agendar entrevistas telefônicas com os alunos, a Unilever fez parceria com provedores de serviços informatizados de RH para digitalizar por completo os primeiros passos do processo.

Não há mais necessidade de enviar currículo, pois os candidatos enviam seus perfis através do Linkedin.

Se os resultados corresponderem aos perfis necessários para determinada posição, os candidatos seguem para uma entrevista (a distancia) onde suas respostas são gravadas em função de perguntas predefinidas pela empresa e onde se analisa itens como palavras-chave, entonação e linguagem corporal.

Se o candidato passar por esta fase inicial, são convidados para uma visita ao escritório da Unilever, onde passarão pela experiência in loco do dia a dia na organização. Ao final do dia, um gerente decidirá se eles serão efetivados ou não.

Conducere: Jocelito, como surgiu a ideia da aproximação com o Alexandre Freire e quais serão os benefícios desta parceria para o mercado?

Jocelito A. Salvador: Para compor uma solução diferenciada em termos de conhecimento organizacional necessitamos de estabelecer parcerias com pessoas que tenham competências diferenciadas.

Foi neste sentido, que, após algum tempo conhecendo o trabalho e as ideais do Alexandre Freire, em especial pela relação estabelecida via LinkedIn, verifiquei nele um potencial partner para a Conducere.
 
Assim, devemos unir nossas competências, que vão do conhecimento teórico e prático, vivência acadêmica e corporativa possa agregar valor às pessoas e e suas organizações.
 
Além do que, há um encontro de gerações distintas com experiências distintas também. Por exemplo, o Alexandre tem uma experiência internacional que pode agregar muito valor aos nossos projetos.
 
Ao mesmo tempo, a visão humana e tecnológica, gerando uma síntese harmônica, que é um dos motes da Conducere tende a mostrar às organizações que Inteligência Corporativa se faz com Inteligência Humana e Inteligência Artificial, por exemplo.
 
Assim, não há porque descartarmos a tecnologia nos projetos de inovação e muito menos prescindir das pessoas neste processo.

 

Conducere: A Strategy inicia uma parceria com a Conducere e lança um produto inovador, focado para empresas inteligentes (Smart Companies).

Qual é a sua expectativa com essa parceria e como você percebe que este produto poderá agregar valor para o mundo corporativo?

Alexandre Freire: Acredito que a maior contribuição que esta parceria poderá trazer para o ambiente empresarial será a discussão focada e leve em sua forma de Talk shows onde poderemos aliar a tecnologia aplicada e experiências de sucesso e insucesso em projetos inovadores como aprendizado para a equipe inovar em sua empresa.

Conducere: Como todo Talk Show, há um nicho muito específico para implementá-lo. Qual é o target da Conducere e da Strategy?

Jocelito A. Salvador: Verdadeiramente a nossa ideia aqui, em especial nesta relação estratégica entre Conducere e Strategy, é atingir as Smart Companies.

Entendemos por Smart Company aquele empresa que tem alta dependência do conhecimento organizacional para se manter no mercado e por consequência inovar constantemente.
 
Estou me referindo, apenas para citar alguns exemplos, as empresas que tenham uma de engenharia ativa, as industriais moveleiras, que trabalham com alta padrão e/ou produtos diferenciados, assim como toda a sua cadeia de distribuição no varejo. Também podemos pensar em praticamente toda a cadeia da indústria automotiva.
 
Enfim, toda e qualquer empresa que precise criar um produto ou serviço próprio para se estabelecer no mercado e aí se manter competitiva.
 
Foi pensando nesta característica de empresa e não necessariamente no seu porte ou área de atuação, que estruturamos o Talk Show que estamos lançando nesta bela parceria entre Conducere e Strategy.
 
De forma, muito rápida e resumida, a ideia é que os líderes das Smart Companies compreendam o que é ser uma empresa assim, como podem manter a sua empresa assim e como vão envolver o time para que as coisas aconteçam na prática.

 

Conducere: Alexandre, que conselhos você deixa para os empreendedores, inovadores e disruptivos, que estão à frente das Smart Companies brasileiras?

Alexandre Freire: Ao contrário do que ouvimos nos noticiários, a maioria das startups fracassa.  O básico continua valendo, ou seja: Planejar primeiro.

Não ignorem a experiência.  O cenário de startups no Brasil está mudando… E para melhor! Os garotos que eram até a pouco tempo unanimidade, cedem espaço para pessoas mais velhas e também às mulheres.

Em três das mais distintas aceleradoras de projetos inovadores no Brasil a idade dos empreendedores com mais de 35 anos de idade já é maioria.

Mas a quebra de paradigma da idade não para nos 35 anos.  Já temos fundador de startup de até 60 anos, e isso é muito bom para o mercado, pois mostra que é possível inovar sem o MITO DOS BRINCOS E TATUAGENS PELO CORPO.

Talvez estejamos no limiar onde a experiência e vivencia farão a diferença na hora de fazer acontecer, pois ao contrario do que vemos no noticiário, grande parte das startups NÃO DÁ CERTO.

O empreendedorismo feminino cresce, embora mais lento, mas cresce!

Conducere: Hoje está sendo lançado oficialmente um produto originado nesta relação comercial. Poderia comentar sobre ele?

Jocelito A. Salvador: Sim, uma grande satisfação poder lançar este produto, que pretendemos ser uma solução para todas as empresas que buscam inovar de forma natural e sustentável.

A ideia é simples, mas pretendemos que seja poderosa: reunir líderes das mais diversas áreas da empresa, num ambiente propício ao diálogo aberto, sem constrangimentos, que possibilite a revisão dos modelos mentais estabelecidos. Além é claro, de ter acesso a informações e tendências mundiais no que se refere à aprendizagem, conhecimento e inovação.

Por que envolver os líderes e não todas as pessoas do time?
 
Neste primeiro momento, estamos na fase do “despertar para o novo”, ou seja, rever conceitos, modelos mentais, formas de ver as pessoas, a forma como aprendem e inovam.
 
Assim, parece-me natural que os líderes sejam os multiplicadores do processo de “despertar para o novo”, para a criação de verdadeira Smart Companies.
 
Todavia, também é natural que haja a necessidade de envolver as demais pessoas do time para que as coisas aconteçam na prática.
 
Por isso mesmo pensamos na implantação do Intelligent Board nas empresas! 
Ele será o órgão responsável por conduzir as:
a) mentorias
b) capacitações e
c) comunidades que envolverão todas as pessoas do time.

 

Talk Show: Smart Company: gerações distintas, propósito e inovação

Conheça o Talk Show, fruto da parceria entre Conducere e Strategy!

Talk Show sobre Smart Companies

by Conducere

 

Para maiores detalhes, como valores, metodologias e conteúdo, acesse aqui!

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Créditos

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Imagens e informações que não são próprias da Conducere e/ou da Strategy: aparecem no momento que são apresentadas neste post.

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